«PARTIDA DE CARNAVAL»

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ELE chegou a casa, despiu a roupa que usara no trabalho, tomou banho e fez a barba. Dirigiu-se ao roupeiro e examinou com uma expressão duvidosa os fatos, as gravatas os pulôveres. Não lhe apetecia muito ir à festa de carnaval, mas certamente se divertiria mais do que se ficasse em casa, ou se fosse para qualquer discoteca superlotada de gente desconhecida. O Pedro dissera-lhe que era apenas obrigatório levar máscara e entregar um pacote de açúcar à entrada, como identificação. Todos os convidados tirariam a máscara mais para o fim da noite. Sempre dava um certo suspense e era melhor para os tímidos… Decidiu que o fato azul com a camisa a condizer e o lenço de seda o tornariam tão desapercebido quanto pretendia. E relativamente à máscara tinha a do ano anterior.

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ELA chegou a casa, despiu a roupa que usara no trabalho…Parada diante do espelho e enquanto aplicava uma maquilhagem leve, interrogou-se sobre se valeria a pena ir à festa de carnaval. Aceitara o convite do Pedro à última hora e quando pensara nas discotecas superlotadas. Claro! Não podia esquecer-se da máscara nem do pacote de açúcar. Se o ambiente não estivesse animado, inventaria qualquer pretexto e iria tomar um copo a um bar sossegado (difícil na altura!). Chegaram os dois quase ao mesmo tempo. A festa parecia bastante animada. Os convidados bebiam, comiam e dançavam ao som de uma música no volume máximo que provocaria um abaixo-assinado dos vizinhos, caso o Pedro se tivesse esquecido de os convidar. Afastaram-se os dois para o mesmo canto, chocaram, pediram desculpa e soltaram uma gargalhada ante a atrapalhação. Dançaram toda a noite num esquecer de problemas e saboreando o momento. Às três da manhã, alguém tocou alegremente uma sineta. Chegara a hora de tirar a máscara e desvendar rostos e personalidades.

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OS DOIS trocaram um olhar surpreendido. Como é que ele não reconhecera a secretária de administração que cumprimentava quase respeitosamente todos os dias, quando se cruzavam no corredor ou no elevador? Como é que ela não reconhecera o chefe do Departamento de Publicidade, aquele homem de expressão grave e um ar tímido e que se revelara uma agradável companhia de uma noite? Hoje, eles têm uma história engraçada para contar aos amigos. Curiosamente, já vivem juntos!

Maria do Mar

A autora aderiu ao Acordo Ortográfico

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